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 "Deleite do Estrangeiro em Tudo o que é Espantoso e Maravilhoso:"
Estudo de um relato de viagem bagdali, de Paulo Daniel Farah
  
 A obra reúne a tradução anotada e o estudo de um manuscrito do século XIX sobre a estada do imã bagdali Abdurrahmán bin Abdullah Al- Baghdádi ad-Dimachqi no Brasil. Após chegar a bordo de um navio do Império otomano, Al-Baghdádi morou no Rio de Janeiro, em Salvador e Recife ao longo de três anos, de 1865 a 1868.
Redigido em caracteres árabes, o manuscrito contém termos em árabe, turco otomano, persa, grego, francês, português e tupi e constitui o principal documento acerca da situação dos muçulmanos no Brasil no século XIX, especialmente após o levante dos malês (1835). Trata-se também do único registro até agora conhecido de um olhar árabe - e muçulmano - sobre a paisagem tropical e a sociedade multiétnica e multiconfessional que se formava à época no Brasil.
Erudito muçulmano que estudara árabe, persa, literatura, jurisprudência e teologia, entre outras disciplinas, Al-Baghdádi veio ao Brasil do Oitocentos em uma corveta, enviada em 1865 (1282 da hégira) pelo sultão Abdulaziz (1277-1293 da hégira ou 1861-1876 d.C.) de Istambul a Basra, que teve sua rota desviada por uma série de tempestades e veio a aportar no Rio de Janeiro, onde o imã árabe decidiu permanecer após identificar na cidade a presença de muçulmanos.
Convidado pela comunidade muçulmana da Bahia e de Pernambuco a prolongar a missão de cunho didático que atribuíra a si e o fizera abandonar o vapor para instalar-se na capital do Império do Brasil, ao passo que seu comandante prosseguiu rumo a Basra, Al-Baghdádi continuou seu périplo e relato, no qual descreve, de forma minuciosa e especializada, as práticas e as crenças da comunidade muçulmana.
No manuscrito, o imã discorre ainda sobre a fauna, a flora, as tradições e as populações brasileiras sob o prisma de um erudito. A obra, editada pela Biblioteca América do Sul-Países Árabes (BibliASPA), em co-edição com as Bibliotecas Nacionais de Argel, Caracas e Rio de Janeiro e a Biblioteca Ayacucho (Venezuela), reproduz todo o manuscrito original. Inteiramente trilíngüe, em árabe, português e espanhol, faz-se introduzir por textos de análise e comentário e possui um caderno de imagens do século XIX.
Trata-se esta de uma fonte de informação histórica, geográfica, antropológica, política, religiosa e literária sobre o Brasil, a África, os árabes e os otomanos.

  
 
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